Quietos



O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Salmo 23:1, 2


Todo mundo gosta do Salmo 23, assim como todos nós gostamos de um lindo nascer ou por do sol, como alguns quadros do Pintor que já coloquei aqui. Mas que beleza pode ter o quadro de hoje? Paredes, lajes, concreto. Não é incomum olharmos pela janela da vida e enxergar um quadro assim. Parece não haver nada para nós ali. Um beco sem saída.

O que nem sempre percebemos no Salmo 23 é que alguém nos faz deitar. Não somos nós que deitamos de vontade própria, pois somos incapazes até de enxergar os verdes pastos. Passaríamos direto por eles sem perceber. É o Pastor quem identifica o que é e o que não é um bom pasto para suas ovelhas. E então Ele as faz deitar.

Mas nem todos os pastos são aprazíveis. Tenho aprendido — será que tenho aprendido? — a enxergar Sua mão também nas dificuldades, nos paredões de concreto e becos sem saída. A razão de alguns desses quadros tão inóspitos nós provavelmente só vamos entender quando chegarmos no céu.

Outra passagem que me vem à memória é quando o povo israelita é libertado da escravidão, sai do Egito e, num certo ponto do caminho, Deus manda que voltem para acampar em um lugar onde ficarão presos, com uma montanha de cada lado, o mar na frente e o exército egípcio atrás.
Fala aos filhos de Israel que voltem, e que se acampem diante de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom; em frente dele assentareis o campo junto ao mar. Êxodo 14:1, 2

O curioso é que eles já tinham passado por aquele lugar, mas Deus mandou que voltassem e acampassem ali. Na agenda de Deus havia um mar para ser aberto, o que não poderia acontecer se eles estivessem em um lugar diferente daquele.

Se o quadro em sua janela é de um beco, é hora de ouvir a voz de Deus e deixar Ele agir. Mas antes de agir, Ele quer que você fique quieto.
E aproximando Faraó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então os filhos de Israel clamaram ao Senhor. E disseram a Moisés: Não havia sepulcros no Egito, para nos tirar de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, fazendo-nos sair do Egito? Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará. Êxodo 14:10-14

Todas as coisas... e voce!



O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas. Hebreus 1:3

Sabe o que chamou minha atenção neste quadro? As nuvens. O Pintor as pincelou no céu como se fossem grandes blocos compactos flutuando e desafiando a lei da gravidade. Na verdade elas desafiam mesmo, porque são toneladas de água simplesmente pairando sobre nossa cabeça como se fossem imensos balões, até serem transformadas em chuva.

Já pensou nisto? Toda aquela água que cai, toda aquela enxurrada que corre, está bem ali, pendurada por fios invisíveis e sustentada por Aquele que sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder.

Talvez você dê uma explicação lógica, talvez fale do vapor, de sua menor densidade etc e tal, mas Ele — é de Jesus que o versículo está falando — também sustenta o vapor em seu estado ou a água no seu. É que se não existisse essa sustentação, as coisas simplesmente não existiriam.

Eu explico. O que faz com que os átomos de meus dedos não penetrem no teclado enquanto digito? Esse poder de sustentação. A ciência já chegou fundo, mas até onde eu sei é uma incógnita que permanece: cada matéria mantém sua integridade, ainda que seja a mesma.

Portanto, da próxima vez que teclar, der a mão para alguém ou simplesmente olhar as nuvens pairando no céu, lembre-se de que Aquele que sustenta todas as coisas com a Palavra do Seu poder é o único que sustenta você também.

A boa parte



E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária. Lucas 10:41


Minha idéia era fotografar o avião, no canto superior direito, que fazia vôos rasantes sobre a cidade. Mas o Pintor colocou algo mais no quadro sem eu perceber. Foi só quando vi a foto é que reparei na pomba que se intrometeu voando para aparecer no centro do quadro.

Na verdade não foi a pomba a intrometida no espaço aéreo, mas o avião e seu piloto. Os ares pertencem aos pássaros, não ao homem. Mas o homem, com sua engenhosidade, aprendeu a voar cada vez mais alto, com asas maiores, porém menos geniais e perfeitas do que as das aves.

O edifício que invade o campo de visão também não foi algo que o homem tenha nascido sabendo fazer. Ele precisou aprender a construir, como fez com suas asas. Onde quero chegar? O homem precisou aprender a voar, os pássaros nasceram sabendo. Precisou aprender a construir, o João-de-Barro nasceu pedreiro.

Já reparou como Deus equipou suas criaturas com habilidades singulares, enquanto deixou o homem sem qualquer dispositivo para voar ou instinto para construir? Embora nos faltem tais habilidades naturais, Deus fez do homem o único com um espírito, capaz de ter comunhão com Deus.

Mas nos ocupamos com muitas coisas, voamos para o espaço, construímos metrópoles, inventamos coisas. Não há coisa alguma que o homem não seja capaz de fazer, exceto uma: se aproximar de Deus. Isto porque não depende de esforço humano, mas de Cristo: "Ninguém vem ao Pai senão por mim", disse Ele.

Do mesmo modo, há um milhão de coisas e atividades que podem ocupar nosso tempo, todas muito legítimas, mas só uma é necessária, aquela que o Senhor chamou de "a boa parte".

E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. Lucas 10:38-42

Sinistro



O seu cadáver não permanecerá no madeiro, mas certamente o enterrarás no mesmo dia; porquanto o pendurado é maldito de Deus. Deuteronômio 21:23


O quadro em minha janela é assustador. Mas sinto-me seguro, porque conheço o Pintor e sei que foi Ele quem pintou. Nuvens revoltas, escuras, assustadoras. Um quadro sinistro, porém infinitamente menos tenebroso do que a cena do Filho de Deus enfrentando as trevas do abandono de Deus na cruz. Dá para imaginar Ele sendo chamado ali de maldito?

Deus um dia precisou abandonar a Cristo para que morresse sozinho na cruz. Dá para imaginar? Não me pergunte como Jesus, sendo Deus, podia ser abandonado por Deus! Mas foi.

Daí o brado do Salmo 22, "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?". A resposta é clara: Deus não podia ter comunhão com os pecados que Jesus carregava sobre Si. Os meus e os de todos os que crêem nEle como Salvador.

Foi um momento singular. O mundo ficou imerso em trevas para que pudéssemos enxergar a luz. O sangue do Filho de Deus se esvaiu na morte para que pudéssemos ter vida eterna. Suas mãos e pés ficaram ali pregados para que pudéssemos ser libertos. Ele recebeu sobre o Seu corpo o castigo devido aos nossos pecados para que não recebêssemos juízo algum. Ele não foi poupado para que pudéssemos ser perdoados. Um morreu por todos para que muitos tivessem a salvação eterna.

Você tem? Se ouviu e creu, "não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida." João 5:24 Agora não há o que temer, por mais sinistro que o céu possa parecer.

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