Pombas


Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas. Cantares 1:15

Desta vez o Pintor me surpreendeu com uma nova obra, não em minha janela, mas do lado de dentro da janela. Ouvi um ruído no banheiro e fui ver. Havia uma pomba lá, despreocupadamente pousada sobre o vidro do box.

O que chamou minha atenção foi sua fragilidade e também sua mansidão. Ao contrário de outros pássaros que às vezes entram em casa e ficam apavorados, voando e batendo nas paredes, a pomba estava quieta e mansa. Como uma pomba. Não é à toa que, na Bíblia, ela é usada como símbolo de paz, pureza e mansidão.

Por seis vezes a figura da pomba é usada no livro de Cantares. Cinco vezes o Noivo a utiliza para descrever a noiva. Da única vez em que a noiva se vale da figura de uma pomba, ela repete o que o Noivo disse dela ao falar de seus olhos. Ambos comparam os olhos do objeto amado aos de uma pomba.

O Senhor disse que os olhos são a janela da alma. Disse também que se os olhos forem simples, todo o corpo será bom. Acredito que é com olhos assim que devemos ver o Senhor, porque é com olhos assim que Ele enxerga aqueles que comprou para Si com seu sangue precioso. Olhos de uma pomba. Pacíficos, puros e mansos.

O que aconteceu com a pomba no banheiro? Ela não se assustou comigo, mesmo quando me aproximei e abri um pouco mais o vidro da janela para que pudesse sair voando. Pacífica, pura e mansamente.

Atraves do vidro



Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. 1 Timóteo 6:10

Li uma história de um velho rabino que recebeu a visita de um homem que não era feliz. O rabino, que sabia que o homem era muito rico, percebeu logo qual era o seu problema. Convidou-o a olhar através do vidro da janela e dizer o que via.

— Vejo pessoas — disse ele, olhando para a rua movimentada atrás do vidro.

Agora venha até aqui. — pediu o rabino apontando para um espelho na parede. — E agora, o que vê?

— Vejo eu mesmo. — respondeu o homem sem entender direito o que fazia.

— Sabe a diferença entre o vidro do espelho e o da janela? Um pouco de prata. — explicou o rabino.

O problema da infelicidade do homem era o dinheiro, que não o deixava enxergar as pessoas. O problema nosso pode ser o mesmo ou qualquer outra coisa que nos faça enxergar apenas a nós mesmos, nossos desejos e interesses.

Você encontra nos evangelhos pobres e ricos que seguiram a Jesus, mas Ele se entristeceu quando encontrou um jovem rico que tinha em sua riqueza a razão de sua vida. Ao contrário do que muitos pensam, não é o dinheiro a raiz de muitos males, mas o amor ao dinheiro.

Muitas pessoas têm como objetivo na vida ficarem ricos. Esse é o objetivo mais pobre que alguém pode ter, porque só dura uma vida. Já viu alguém, no leito de morte, arrependido por não ter ganhado mais dinheiro?

Busque um objetivo ou um significado na vida que não seja bloqueado pelo amor ao dinheiro, que faz com que você enxergue só a si mesmo, como a fina tinta de prata aplicada ao vidro quando o transforma em espelho, impedindo que veja o que existe além.

Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis. 2 Coríntios 8:9


Já pensou o que seria de nós se Cristo preferisse cuidar de Seus próprios interesses?
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. Filipenses 2:5-11

Despedacado



Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Salmo 8:3, 4


Cada quadro do céu, das nuvens e das estrelas que o Pintor deixa em minha janela só fazem pensar o quão diminuto é o ser humano diante de tanta glória e majestade de Sua criação. Se o homem fosse apenas pequenino — uma poeira cósmica — comparado à imensidão do universo, ainda podíamos pensar que havia uma esperança de Deus olhar para ele.

Mas não, além de sua pequenez, o ser humano foi despedaçado pelo pecado, transformado numa caricatura nua como o manequim em pedaços que vejo da janela de meu apartamento. Deve ser mais ou menos assim que Deus nos vê. O que poderia fazer algo tão quebrado e insignificante despertar a atenção do Criador? Seu amor.

Não o meu ou o seu amor, mas o amor dEle. Deus olhou para mim e Se compadeceu. Viu minha condição e quis me salvar. Percebeu minha nudez, minha incapacidade, largado à própria sorte sob as intempéries da vida e resolveu me dar vida, e vida eterna.

Olhe outra vez para aquele manequim. Existe tanta esperança de ele se recompor, sair da chuva onde o vi e se vestir sozinho, como existe esperança para criaturas como eu e você sairmos de nossa condição de ruína. Você pode ler todos os livros de auto-ajuda em alto e bom som para aquele manequim e nada vai acontecer. Ele não pode ajudar a si próprio. Eu não posso ajudar a mim mesmo.

Por isso Deus enviou um Salvador.
Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.Jeremias 13:23

Entre nuvens


Vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. Atos 1:9


O quadro em minha janela é majestoso, como da última vez em que os discípulos viram a Jesus — entre nuvens. Ele tinha ressuscitado algum tempo antes e estava se despedindo deles quando foi elevado às alturas entre nuvens. Foi a última visão dEle que os homens tiveram. Mas não todos os homens.

Apenas discípulos puderam vê-Lo depois que ressuscitou. Os outros O viram pela última vez quando foi colocado, morto, numa tumba. Aos incrédulos não foi dado o privilégio de verem a Jesus ressuscitado, tampouco de vê-Lo subindo entre nuvens. Mas a cena da despedida continua.
E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir. Atos 1:10, 11

Esses "dois homens vestidos de branco" eram certamente anjos, avisando a respeito de duas coisas. Primeiro, que Ele voltaria a princípio apenas para pessoas da mesma classe daquelas que O viram subir — aos que creram — da mesma forma como havia partido: entre nuvens.

Segundo, que seria "esse Jesus", ou "o mesmo Jesus", como diz em outra versão. O mesmo Jesus. Ninguém devia esperar que um anjo ou qualquer outra criatura viesse buscá-los. O mesmo Jesus viria, entre nuvens. Depois eles, por intermédio da revelação feita ao apóstolo Paulo, conheceriam mais detalhes de como isso se daria.
Os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras. 1 Tessalonicenses 4:16-18

Se você tivesse vivido na época de Jesus, estaria entre os que O viram depois de ressuscitado? Teria visto Ele partir entre nuvens? E hoje, é esse mesmo Jesus que você espera? E é a esperança de ir encontrá-lo "nas nuvens" que traz consolo ao seu coração?

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